PF apreende celulares de Jaques Wagner após senador admitir negociação de imóvel com ex-sócio de Vorcaro

Jaques Wagner teve celulares apreendidos pela PF após admitir negociação de imóvel com ex-sócio de Daniel Vorcaro. Caso é investigado na Operação Compliance Zero.

A Polícia Federal apreendeu dois celulares do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero. A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações que apuram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimentos envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master.

O avanço da investigação ocorre após o próprio senador confirmar que pediu ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, a compra de um apartamento de alto padrão em Salvador. Segundo Wagner, a intenção era que o imóvel fosse adquirido temporariamente pelo empresário para posterior transferência à sua filha.

A explicação, no entanto, passou a integrar os elementos analisados pela Polícia Federal.

De acordo com documentos da investigação, o apartamento está localizado no empreendimento Poème Horto, no bairro Horto Florestal, uma das áreas mais valorizadas da capital baiana. O imóvel é avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões e foi adquirido por Augusto Lima, apontado pela PF como um dos principais operadores financeiros ligados ao grupo investigado.

Os investigadores buscam esclarecer se a negociação representou uma transação privada legítima ou se o imóvel teria sido utilizado como forma de vantagem indevida concedida ao parlamentar em troca de atuação política favorável aos interesses do Banco Master.

A análise dos celulares apreendidos deverá concentrar-se principalmente nas comunicações entre Wagner, Augusto Lima e pessoas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro. Mensagens já obtidas pela Polícia Federal em aparelhos de outros investigados indicam uma relação de proximidade entre o senador e o ex-sócio do banqueiro.

Em uma das conversas citadas pela investigação, Augusto Lima escreveu a Jaques Wagner que ele “mais do que ninguém” conhecia sua trajetória e “fazia parte disso”, trecho que a Polícia Federal considera relevante para compreender a natureza da relação entre ambos.

A investigação também examina outros possíveis benefícios recebidos por pessoas ligadas ao entorno do senador, incluindo o uso de aeronaves privadas e repasses financeiros que teriam relação com empresas vinculadas ao núcleo familiar do parlamentar.

Jaques Wagner nega ter recebido qualquer vantagem indevida. Em manifestações públicas, o senador afirmou que o apartamento nunca integrou seu patrimônio, negou ter atuado em favor do Banco Master e ressaltou que não é réu nem foi denunciado em qualquer processo relacionado ao caso.

A Operação Compliance Zero investiga uma série de suspeitas envolvendo o Banco Master e pessoas próximas ao empresário Daniel Vorcaro. Ao longo de suas diferentes fases, a operação já resultou em prisões, bloqueio de bilhões de reais em ativos e diversas medidas cautelares autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Até o momento, a Polícia Federal não apresentou denúncia formal contra Jaques Wagner. A expectativa dos investigadores é que a perícia nos aparelhos apreendidos ajude a esclarecer a extensão de sua relação com os demais investigados e eventual participação nos fatos apurados.

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