Realizada no Estádio Azteca, na Cidade do México, a abertura combinou apresentações musicais, efeitos visuais e uma produção inspirada nos grandes espetáculos esportivos contemporâneos. Entre os destaques esteve a participação da cantora Shakira, que interpretou a música oficial do torneio ao lado do artista nigeriano Burna Boy.
A presença da colombiana teve forte valor simbólico. Shakira tornou-se uma das artistas mais associadas à história recente das Copas do Mundo após o sucesso global de “Waka Waka”, canção oficial do Mundial de 2010 na África do Sul. Sua participação ajudou a conectar diferentes gerações de torcedores e reforçou o caráter internacional do evento.
Mais importante do que os artistas presentes, porém, foi a mensagem transmitida pela própria organização da competição. A FIFA vem ampliando progressivamente a dimensão comercial e cultural do torneio, transformando a Copa do Mundo em uma experiência que vai além dos noventa minutos de jogo.
A edição de 2026 representa o ápice desse processo. Com 48 seleções, 104 partidas e três países-sede, o torneio já nasce como o maior da história. Ao redor dos gramados, multiplicam-se festivais para torcedores, ativações de patrocinadores, eventos paralelos, experiências digitais e atrações voltadas para públicos que nem sempre acompanham futebol regularmente.
O modelo se aproxima cada vez mais do padrão adotado pelos grandes eventos esportivos norte-americanos, onde esporte, entretenimento e negócios funcionam como partes de um mesmo produto. Não por acaso, a expectativa é que a final da Copa também conte com apresentações artísticas de grande porte, reforçando uma tendência que deve se consolidar nos próximos anos.
Os defensores dessa estratégia argumentam que ela amplia o alcance do futebol, fortalece o valor comercial da competição e aproxima novas audiências do esporte. Já os críticos enxergam um risco diferente: o de que o espetáculo passe gradualmente a competir com aquilo que sempre foi a razão de existir do Mundial — o próprio jogo.
A discussão está longe de terminar. O que a abertura da Copa de 2026 demonstrou, no entanto, é que a FIFA já fez sua escolha. O Mundial continua sendo uma competição esportiva, mas também se tornou uma das maiores plataformas globais de entretenimento da atualidade.







