A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (1º), indica um cenário de estabilidade na liderança da corrida presidencial, mas revela mudanças importantes na disputa entre os demais pré-candidatos, especialmente no campo da direita.
No principal cenário de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46,3% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 36,6%. Renan Santos (Missão) alcança 7,8%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 2,9%, e Romeu Zema (Novo), com 2%.
Na pesquisa anterior da AtlasIntel, divulgada em maio, Lula registrava 47%, Flávio Bolsonaro 34,3%, Renan Santos 6,9%, Romeu Zema 5,2% e Ronaldo Caiado 2,7%.
| Candidato | Atlas maio | Atlas julho | Variação |
|---|---|---|---|
| Lula (PT) | 47,0% | 46,3% | -0,7 p.p. |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 34,3% | 36,6% | +2,3 p.p. |
| Renan Santos (Missão) | 6,9% | 7,8% | +0,9 p.p. |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 2,7% | 2,9% | +0,2 p.p. |
| Romeu Zema (Novo) | 5,2% | 2,0% | -3,2 p.p. |
A comparação entre os dois levantamentos mostra que Lula e Flávio Bolsonaro oscilaram dentro da margem de erro da pesquisa. Lula variou 0,7 ponto percentual, enquanto Flávio Bolsonaro avançou 2,3 pontos.
Já Renan Santos passou de 6,9% para 7,8%, crescimento de 0,9 ponto percentual. Embora essa variação, analisada isoladamente, também esteja dentro da margem de erro, ela ocorre em um contexto diferente: o pré-candidato do Missão vem registrando crescimento gradual nas principais pesquisas nacionais realizadas ao longo de 2026, ainda que os percentuais variem conforme a metodologia de cada instituto.
Outro dado que chama atenção é o desempenho dos demais nomes da direita. Romeu Zema caiu de 5,2% para 2%, enquanto Ronaldo Caiado permaneceu praticamente estável, passando de 2,7% para 2,9%.
Cenário com Fernando Haddad
A AtlasIntel também simulou um cenário sem Lula, substituindo o presidente pelo ministro Fernando Haddad.
Nesse quadro, Haddad lidera com 39,7%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 36,6%. Renan Santos aparece em terceiro lugar, com 9,8%, aproximando-se da marca de dois dígitos.
O resultado sugere que parte do eleitorado procura alternativas quando o principal nome do PT deixa de compor o cenário eleitoral.
Flávio Bolsonaro mantém vantagem sobre Michelle nos cenários da AtlasIntel
Além de comparar a evolução dos candidatos entre maio e julho, a nova pesquisa também permite analisar os dois principais nomes testados pelo PL.
No cenário em que Flávio Bolsonaro representa o partido, o senador aparece com 36,6% das intenções de voto, enquanto Lula registra 46,3%. A diferença entre ambos é de 9,7 pontos percentuais.
Já no cenário em que Michelle Bolsonaro substitui Flávio, Lula permanece praticamente estável, com 47,1%, mas a ex-primeira-dama registra 19,3%, ampliando a distância para 27,8 pontos percentuais.
| Candidato | Cenário com Flávio | Cenário com Michelle |
|---|---|---|
| Lula (PT) | 46,3% | 47,1% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 36,6% | — |
| Michelle Bolsonaro (PL) | — | 19,3% |
| Renan Santos (Missão) | 7,8% | 8,1% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 2,9% | 8,1% |
| Romeu Zema (Novo) | 2,0% | 8,6% |
A comparação mostra que Flávio Bolsonaro aparece 17,3 pontos percentuais à frente de Michelle Bolsonaro nas simulações da AtlasIntel.
Enquanto Lula praticamente não altera seu desempenho entre um cenário e outro — oscilando apenas de 46,3% para 47,1% — a substituição de Flávio por Michelle provoca uma significativa redistribuição dos votos entre os demais candidatos da direita.
Romeu Zema passa de 2% no cenário com Flávio para 8,6% no cenário com Michelle. Ronaldo Caiado cresce de 2,9% para 8,1%, enquanto Renan Santos avança de 7,8% para 8,1%.
Os dois cenários não podem ser interpretados como uma transferência automática de votos entre Flávio e Michelle, pois cada simulação apresenta um conjunto diferente de candidatos ao eleitor. Ainda assim, os números indicam que, neste levantamento, Flávio Bolsonaro demonstra maior capacidade de concentrar o eleitorado identificado com o PL do que Michelle Bolsonaro.
Pesquisa é divulgada em meio à disputa interna no PL
A divulgação da nova AtlasIntel ocorre poucos dias após Michelle Bolsonaro deixar a presidência nacional do PL Mulher em meio a divergências com o senador Flávio Bolsonaro. O episódio ampliou as especulações sobre a condução da sucessão política do ex-presidente Jair Bolsonaro dentro do partido.
Embora não seja possível estabelecer relação de causa e efeito entre esse episódio e os resultados da pesquisa, a comparação entre os dois cenários ganha relevância justamente por ocorrer em um momento de reorganização interna da legenda.
Comparação com a Real Time Big Data
Os novos números da Atlas também permitem comparação com a pesquisa Real Time Big Data divulgada em junho.
Naquele levantamento, Lula aparecia com 38%, Flávio Bolsonaro com 31%, Renan Santos com 6%, Ronaldo Caiado com 6%, Romeu Zema com 4% e Aécio Neves com 3%.
Embora os percentuais absolutos variem entre os institutos — reflexo de metodologias diferentes — ambos os levantamentos apontam uma tendência semelhante: Lula e Flávio permanecem isolados na liderança, enquanto Renan Santos mantém desempenho superior ao de outros nomes da direita tradicional, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, nos cenários apresentados.
Tendência, não salto
Especialistas em pesquisas eleitorais costumam alertar que comparações entre levantamentos devem considerar a margem de erro e a metodologia utilizada por cada instituto.
Por esse motivo, o crescimento de Renan Santos de 6,9% para 7,8% não deve ser interpretado isoladamente como uma mudança estatisticamente consolidada.
O dado mais relevante é a manutenção de uma trajetória de crescimento ao longo das pesquisas nacionais realizadas em 2026, ao mesmo tempo em que candidatos como Romeu Zema perdem espaço e Ronaldo Caiado permanece praticamente estável.
Faltando pouco mais de três meses para o primeiro turno das eleições de 2026, as pesquisas deixam de ser apenas um retrato momentâneo e passam a indicar tendências que serão testadas ao longo da campanha oficial. Nos próximos meses, o desempenho dos candidatos nos debates, a definição das alianças e a capacidade de ampliar sua base eleitoral serão fatores decisivos para confirmar ou modificar o cenário apontado pelos institutos.
A pesquisa ouviu 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04582/2026.







