Paralisação expõe crise crônica na terceirização de serviços públicos
Uma manifestação de vigilantes terceirizados na aduana da Ponte Internacional da Amizade abriu uma greve da categoria em Foz do Iguaçu. Os trabalhadores cobram a regularização de salários, férias, horas extras e vale-alimentação em atraso, além do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). De acordo com o Sindicato dos Vigilantes de Foz do Iguaçu (Sindsfoz), a paralisação atinge diretamente os serviços de segurança de órgãos estratégicos, incluindo a Receita Federal, a Justiça Federal, o Detran e a Polícia Científica.
O município conta com cerca de 215 profissionais contratados pela empresa Essencial Sistema de Segurança para prestar serviços nas repartições públicas federais e estaduais. Representantes da mobilização afirmam que os atrasos na remuneração fixa tornaram-se rotineiros nos últimos 24 meses, com pagamentos efetuados frequentemente com 10 a 20 dias de atraso. No último mês, contudo, a empresa interrompeu os repasses por completo e cortou o fornecimento dos vales sem dar previsão de regularização.
A paralisação em Foz do Iguaçu integra um movimento de âmbito estadual. Em Curitiba e outras regiões do Paraná, os vigilantes ligados à mesma companhia cruzaram os braços ainda em junho, afetando também postos vinculados à Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap). A suspensão das atividades gera preocupação imediata sobre a vulnerabilidade patrimonial e operacional de estruturas críticas na fronteira, que dependem diretamente do controle de acesso e vigilância armada para o andamento seguro dos trabalhos institucionais.
O sindicato que representa a categoria confirmou que o efetivo local permanecerá em greve por tempo indeterminado até que as pendências financeiras sejam quitadas. Uma audiência de mediação entre os trabalhadores e a direção da Essencial Sistema de Segurança foi agendada para o dia 23 de julho na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), onde se buscará um acordo formal de quitação dos débitos e penalidades trabalhistas acumuladas. Até o fechamento desta reportagem, a empresa contratada não se manifestou publicamente sobre o colapso dos pagamentos.







